quinta-feira, 9 de junho de 2011

 
LA LLUVIA
Jorge Luis Borges
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Bruscamente la tarde se ha aclarado
Porque ya cae la lluvia minuciosa.
Cae o cayó. La lluvia es una cosa
Que sin duda sucede en el pasado.
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Quien la oye caer ha recobrado
El tiempo en que la suerte venturosa
Le reveló una flor llamada rosa
Y el curioso color del colorado.
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Esta lluvia que ciega los cristales
Alegrará en perdidos arrabales
Las negras uvas de una parra en cierto
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Patio que ya no existe. La mojada
Tarde me trae la voz, la voz deseada,
De mi padre que vuelve y que no ha muerto.
*

A Chuva




A CHUVA
Jorge Luís Borges

(tradução de Jarbas Martins)
Bruscamente o ar se fez iluminado
Porque já cai a chuva minuciosa.
Cai ou caiu. A chuva, por enganosa,
É uma coisa que ocorre no passado.
Quem a ouve cair, crê resgatado
O tempo em que a sorte venturosa
Lhe revelou uma flor chamada rosa
E a curiosa cor que é o encarnado.
Esta chuva, que cega o cristal, há de
Alegrar nos perdidos arrabaldes
As negras uvas de uma parreira e o seu
Pátio que já não existe mais. Molhada,
Traz-me a tarde de volta a desejada
Voz, a voz de meu pai que não morreu.

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