quinta-feira, 9 de junho de 2011



                   
     AS   COISAS
  Jorge Luis Borges   
Tradução de Ferreira Gullar

A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro,
Um livro e em suas páginas a ofendida
Violeta, monumento de uma tarde,
De certo inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas e taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido:

E nunca saberão que havemos ido.

direto  de http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet134.htm

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